terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rebentemos com a bósnia, antes que a bósnia rebente com ela própria

Não gramo UHF. E não é por causa dos atropelos ao verbo de “sou benfica”. É porque é rock mauzinho. Mas isso agora é indiferente. Em 1992 rebentou a guerra na bósnia. Civil, quando é mesmo bera e num mesmo local o pessoal conterrâneo se dedica a foder tudo à sua volta. A Nato foi para lá, através da IFOR. E os portugueses fizeram parte do contingente. Alguns ficaram feridos, houve até quem perdesse a vida por bruto descuido. Estávamos algures em 95/96 e os UHF lançavam Sarajevo. E um dos primeiros contingentes portugueses lá estacionados cantou a música, em zonas onde a população sérvia não gostava da simples palavra. Cantaram em nome desta bósnia que há hoje, correndo o risco de serem atacados por isso.

Sarajevo.



Sarajevo. Nome de cidade em guerra. Há mais de dez anos que há tropas portuguesas lá. São pagas com os nossos impostos, ao abrigo de programas de cooperação internacional. Quando a selecção bósnia cá esteve, no passado sábado, eu fui ao estádio – um bocado cheio de medo que esta nossa selecção só dá arrepios. Cantou-se o hino da bósnia e os quase 60 mil tugas que lá estavam calaram a boca. Ouvimos e respeitámos. À chegada à bósnia a nossa selecção é enxovalhada no aeroporto, em clima de intimidação e de insegurança. Insultos em inglês para se perceber, cuspidelas para saberem que não são bem-vindos. O seleccionador bósnio Blasevic (o mesmo que levou a Croácia ao 3º lugar no mundial de 98, o mesmo que derrotou a Alemanha por três a zero, mas não sem antes humilhar os adeptos alemães, ao levar para o banco um chapéu da polícia para recordar que um polícia perdeu a vida à conta de um hooligan alemão), já fez o seu jogo psicológico, querem-nos, e cito, “comer”.

Agora é o momento de saber se temos uma selecção de maricas ou se são capazes, num estádio de merda, num campo que parece ser de guerra e não de futebol, com um ambiente hostil, de provar que valem qualquer coisa. Portugal fez parte dos países que impediram aquele país de se autodestruir. Até há pouco era um adepto atento à selecção (goleadora, realce-se) da bósnia. Agora acho que se devem foder. A ingratidão deve ser punida em campo. Esmagar a bósnia é uma simples questão de higiene. Impede-se aquela purga de adeptos que esteve no aeroporto de ir ao mundial. Que voltem para as suas casas em ruínas, a bater bolinha baixa. Se cedermos ali, confirma-se que não fomos feitos para isto. E se não fomos feitos para isto, então não merecemos ir a mundial nenhum. E a turba de ingratos irá no nosso lugar.

Queiroz, essa merda é a queimar ou era melhor termos ficado em casa?

5 comentários:

Morales disse...

Bom texto! Confesso que simpatizo com a Bósnia. A recepção doas portugueses acontece em países sub desenvolvidos como é o caso. Blazevic adopta as suas tácticas, mais ou menos bélicas, mas ngm lhe tira o brilharete de 98.

Ja tive o enorme prazer de estar em Sarajevo e, talvez por isso, porque vi o pesadelo inacreditável porque esse povo passou, não consigo deixar de simpatizar com eles.

Torço por Portugal, obviamente, mas, mais facilmente me identifico com a velha raposa Miroslav Blazevic do que com o prof. Carlos Queiroz. lol

Nalitzis Krpan disse...

Blazevic é mesmo raposa velha. E aquela equipa da croácia era fantástica (só o suker...).E as "tácticas" dos adeptos são tudo menos novas em futebol. Agora é ver se a selecção portuguesa olha para aquilo e ganha motivação para responder. Se não ainda se acagaçam todos.

Morales disse...

A propósito da velha raposa:

http://www.guardian.co.uk/football/blog/2009/nov/17/ciro-blazevic-bosnia-portugal-play-off

Pedro disse...

Vi o jogo pela tv e fiquei com a ideia que houve imensa gente a assobiar enquanto tocava o hino Bósnio, gesto que não entendi.

Quanto ao resto, concordo com o post.

Estive a ver as notícias da RTP1 e o jornalista refere que os portugueses têm sido bem recebidos pela população em geral.

Para finalizar, aquele estádio deve ter sido bombardeado recentemente. Pelo menos a relva denota isso. Além do mais, assumindo que não foi o Tomás (arromba cus) Taveira a desenhá-lo, não há outra explicação para que o tapete verde se encontre naquele estado...

Nalitzis Krpan disse...

Os tugas por lá foram tratados abaixo de cão. E no estádio assobiaram uns quantos trolhas. Lá foi o que se viu, um estádio inteiro (com bilhetes vendidos a mais e tudo) a enxovalharem-nos e a desrespeitarem o hino.

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