sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O caso Queiroz - Parte 2

[podem ler a parte 1 aqui]

A Federação.

Sejamos honestos: a organização do Euro 2004 teve muita coisa fantástica. Mas o que tem camuflado a falta de competência daquele órgão foram precisamente os sucessos (e sim, chamo-lhes sucessos) que tivemos em boa parte das grandes campanhas nos últimos anos. Mas vamos atrás no tempo.

Tivemos Eusébio em 66. Tivemos outra excepcionalidade em 84, no europeu francês. Mas o futebol tuga, durante décadas, tem sido definido por bruto acaso. A coisa corre bem porque corre. Porque o talento Às vezes suplanta quase tudo. Isto foi assim durante décadas. Nos anos em que Queiroz esteve à frente das selecções jovens, criou as bases para o bom que veio depois. De dois títulos para a selecção principal, foi um pequeno passo. E a coisa acabou por não ter um final feliz (Queiroz inevitavelmente com culpas no cartório). Queiroz saiu, queixando-se da “porcaria” que grassava na FPF. Para esclarecer as coisinhas todas avisamos já que essa porcaria estava lá quando foi Saltillo (o mega-fiasco das nossas selecções), estava lá em 2002, naquele barrete a que chamaram mundial da Coreia-japão. E está lá agora. Com Amândio Carvalho, a “cabeça do polvo”, ainda em plena forma. E não é o único.

A FPF é liderada por um homem de quem se desconfia que tenha hábitos relacionados com a bebida [pausa para sonora gargalhada relativamente ao termo “desconfia”]. À volta dele, velhotes. 60 e muitos, 70 e tais. Venham cá falar de revolução, de sangue novo ou o raio que o parta. Isto não é diferente daquela bizarra board de velhotes que anualmente decide sobre as regras do futebol e que acha que o futebol é giro é com erros catastróficos. Eles estão lá, aceitando submissamente, os apitos dourados, os quinhentinhos, os túneizinhos, as dívidas grotescas de clubes, a pobreza do futebol de divisões secundárias, sem nunca tomar uma decisão assertiva, que mude o estado de desconfiança das coisas. Se são paus mandados, se andam com palas bem grandes e bem pretas ou se têm uma genialidade que só daqui a umas décadas entenderemos, não sei. Mas eu não confiava um pedaço da minha unha grande do pé esquerdo, já cortada, a esta gente.

O primeiro e maior erro de Queiroz foi voltar, sabendo que a porcaria lá estava ainda. Mas houve mais erros. Afastou Caçador, Romão e mais uns quantos dos técnicos que pertenciam aos quadros da FPF. Trouxe Agostinho Oliveira (figura não muito amada no seio da FPF) de volta. E com isto começou a isolar-se, sabendo-se a priori que nunca haveria unanimidade no seu cargo. Vê-lo com respostas ríspidas a jornalistas, com discurso pesado onde antes seria cordial (e não falo da cona da mãe do outro, que isso são mariquices para o próximo texto) são coisas que se estranham num homem que sempre foi ponderado e que há algum tempo que, na selecção, parece constantemente stressado.

Queiroz tinha e tem inimigos de longa data ali. A primeira oportunidade, e com sondagens a favor da sua demissão (os primeiros dias a seguira à derrota com a Espanha deram espaço para tal), começou este triste festival. Sejamos mais uma vez honestos: os três milhões aqui são cagativos para o Queiroz. Mais milhão, menos milhão, dinheiro ele tem. Se não o queriam mais lá, mostravam que tinham um par de tomates de gente grande e despediam-no. Se afinal o projecto é de quatro anos e há contrato por cumprir, dava-se voto de confiança e a coisa continuava. Assim, conseguiram a proeza de recuperar capital junto do público para o Queiroz. E conseguiram dar-nos mais uma rocambolesca novela.

Penso em tudo isto de forma simples. Se Queiroz cair, é possível que ele consiga outro estrondoso triunfo. Depois dos sucessos nas selecções jovens, da parceira com o Ferguson e do trabalho académico e directivo ligado ao Futebol, Queiroz poderá conseguir que se puxe finalmente o autoclismo na FPF. E isso seria coisa para agradecermos eternamente.

1 comentário:

Pedro disse...

Por acaso quando li a parte em que referes "...parece constantemente stressado." veio-me logo à memória aquele momento no mundial (confesso que não recordo qual o jogo) em que o homem salta do banco, começa a tirar o casaco com um ar meio tresloucado, faz uma espécie de bola e joga-o com toda a violência para o chão. Tudo isto com o Agostinho atrás a dizer algo do género: Calma Carlos! Calma Carlos! lol

Já para não falar das pantufadas que deu no Jorge Baptista no aeroporto e a referência à vagina da mãe do outro... (acho que foi nestes termos que ele se dirigiu ao gajo que vinha com uma seringa na mão sedento por sangue "vitaminado").

Não é coisa dele...

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